Ao tratar de juventude inconsequente, drogas, violência, morte e amizade, Trainspotting (1996) torna-se um dos longas-metragens mais polêmicos já lançados na história do cinema. O filme conta com duas figuras que deram um alavancada na carreira após seu lançamento: Danny Boyle, como diretor, que foi premiado com o Oscar de Melhor Filme com Quem quer ser um Milionário? (Slumdog Millionaire – 2008) e Ewan McGregor, como protagonista, interpretando Mark Renton, sendo hoje em dia um dos atores mais cotados de Hollywood.
Inspirado em um romance homônimo de Irvine Welsh, o longa começa com Renton falando: "Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadora, carro, CD Player e abridor de latas elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha viver. Mas por que eu iria querer isso? Escolhi não viver. Escolhi outra coisa. Os motivos? Não há motivos. Quem precisa de motivos quando tem heroína?”. É nesse nível que o enredo se desenvolve. Danny Boyle não hesitou em mostrar sem pudor cenas do vício e as seqüelas na vida de cada um, rumando à destruição completa da vida de cada um ou da amizade.
É notável a quantidade de metáforas e o excelente uso da linguagem cinematográfica e da trilha sonora codificando a mensagem de forma clara. Enquanto as cenas de humor se misturam com as de violência, predominando uma atmosfera tragicômica no filme. Momentos como quando Renton, após decidir largar o vício e começar a sofrer de abstinência, busca meios de amenizar sua situação. Sem opções satisfatoriamente boas, ele se encontra com um traficante ralé que lhe dá supositórios de ópio. O imprevisto é que as cápsulas demoram a fazer efeito, e a falta da droga lhe provoca uma diarréia incontrolável, fazendo com que ele tenha de entrar no, como diz o filme, “Pior banheiro da Escócia”. Após se aliviar, o protagonista se lembra da medicação e, literalmente, mergulha na privada, em meio aos dejetos para pega-la.
Outra situação exposta é ter um bebê no mesmo local em que eles se drogam, sugerindo ao espectador a regressão que eles sofrem quando estão drogados: completamente vulneráveis, infantilizados, dependentes da droga como um bebê depende da mãe. Tudo isso logo é demonstrado na parte em que Allison (Susan Vidler) aparece gritando, inconsolável, e vai acordando todos. O bebê, pelo abandono, está morto no berço mas mesmo assim ninguém expressa nenhuma reação, até que Sick Boy (Jonny Lee Miller) diz a Renton: “Diga algo, Mark! Diga algo!” que responde apenas: “Vou preparar um pico.”
A ironia se faz presente em diversas partes no filme, quando como Mark Renton tem uma relação sexual com uma menor de idade e fica com medo de ser preso, enquanto em nenhum momento de sua loucura ilícita com as drogas, chegou a pensar em cadeia. Críticas como essa em relação à inconseqüência dos jovens e até ao senso comum com suas drogas socialmente aceitas, expressas através de Begbie (Robert Carlyle), fumante e alcoólatra violento, o único que não se droga no grupo, mas está longe de ser o mais correto. Seu desprezo por “essas coisas químicas” é compensado pela insanidade completa, arrumando brigas por diversão.
O filme propõe vários questionamentos sobre a moral, mas, propositalmente, não responde a nenhum deixando ao espectador a reflexão. Um clássico entre os “junkies” e os cults, fundamental a qualquer um que queira conhecer a complexidade de uma mente dependente e até bater de frente com uma realidade muito presente no mundo contemporâneo.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
O Gênio Woody Allen
Sua carreira teve início bem antes do reconhecimento. Aos três anos de idade, sua mãe o levou para ver “Branca de Neve” e, a partir desse dia o cineasta reconheceu seu habitat, tornando o cinema seu segundo lar. Aos 15, com um QI notavelmente elevado, começou a escrever e a mandar piadas para os jornais de Nova Iorque, sua cidade natal. Por ser tímido, abandonou o nome Allan Stewart Koningsberg, criando o pseudônimo Woody Allen com o intuito de não ser reconhecido por seus colegas de escola caso seu nome aparecesse no jornal.
Contrastando com sua personalidade, suas obras são sempre dinâmicas, com doses de refinado humor, às vezes trágico, noutras irônico e com finais nada convencionais como em seu filme O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007), em que o conflito entre os irmãos, interpretados por Ewan McGregor e Colin Farrell, termina de uma forma definitiva. Uma característica comum aos seus longas-metragens é o fato de tratarem de problemáticas psicológicas, com personagens complexos e cheios de traumas pessoais, mostrado em filmes como o já citado Annie Hall, em que o casal, sempre em conflito e dialogando, dá a forma à obra. Quando atua, o diretor/roteirista/ator passa uma imagem autobiográfica, pois sua filmografia se confunde com biografia em diversos aspectos, além de se espelhar em parte e ser uma forma de manifestação de seus gostos. Uma vez que se interessa demasiadamente por Jazz, mágica e mulheres, Allen une tudo isso no filme Scoop – O grande Furo (Scoop, 2006), contracenando com a musa Scarlett Johansson e Huck Jackman. Nesse, como em quase todos seus trabalhos, pode-se encontrar seus temas clichês, constantemente abordados pelo diretor, como satirizar Deus, Judaísmo (por ter sido criado como judeu), relacionamentos amorosos, psicanálise e os fracassos da vida.
Apesar de ter como característica lançar grandes filmes, muitos críticos consideram o período em que Woody fechou contrato com a DreamWorks, por volta de 2000, a sua pior fase. Mesmo com atores conceituados, “Dirigindo no Escuro” (Hollywood Ending, 2002), “Igual a tudo na vida” (Anything Else, 2003), “Melinda e Melinda” (Melinda and Melinda, 2004) não tiveram a repercussão de seus filmes anteriores, como “Manhattan” (Manhattan, 1979), “Poderosa Afrodite” (Mighty Aphrodite, 1995) e “Bananas” (Bananas, 1971) que beiram o brilhantismo.
Com o fim de seu contrato com a empresa de Steven Spielberg, Woody Allen voltou ao gênero drama ao lançar “Ponto Final” (Matchpoint, 2005). Graças a ele, recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar por Melhor Roteiro Original, retornando, assim, à sua boa fase. Esta obra é marcante também por ser seu o primeiro filme com a diva Scarlett Johansson que o acompanhou posteriormente em “Scoop” e em seu mais recente, “Vicky Cristina Barcelona” (Vicky Cristina Barcelona, 2008), em que atua ao lado de Penélope Cruz, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme.
Woody é um dos cineastas mais atuantes da história do cinema com uma média de quase um filme por ano em sua carreira. É um ícone fundamental a todo cinéfilo que se preze. No entanto, acima de sua fama, mantém ainda a humildade ou a ironia ao se descrever: “As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que eu sou intelectual, porque uso óculos, e que sou artista, porque meus filmes sempre perdem dinheiro”.
sábado, 14 de março de 2009
A resposta da Humanidade
É, estamos de volta com força total e com muita polêmica!
Esse minha postagem agora vai ser meio que um Post-resposta à postagem do meu camarada de blog.

Vemos, sim diversas mudanças em nossa socidade desde que o primeiro parafuso/broca/chip entrou no mundo. A questão é se realmente um dia eles nos substituirão por completo, sob forma de dominação, invertendo os papéis no melhor estilo Matrix Revolutions aí da vida. Sendo bem direto: eu acredito que não.
Por mais 'humanos' que possam ser os futuros robôs eles nunca terão a capacidade criativa que o homem tem. Trocando em miúdos, eles nunca farão qualquer tipo de arte. Podem, como a Máquina Violinista, realizar, executar mas mesmo assim eles não são nada mais do que CDs modernizados e customizados que nos poupam de apertar o play.
Casos, ainda, como de professores ou qualquer tipo de palestrante com o intuito de ensinar certo assunto a alguém nunca serão substituídos. Se pudessem, já teriam sido pois seria só apertar o bendito botão play de alguma gravação e todos seriam 'felizes'.
Na área de comunicação, como haveria a seleção e a hierarquização da notícia? É impossível automatizar isso!
Quanto à companhia amorosa, poderia até dar certo. Aliás, já dá lá no Japão - onde mais seria?!- em que a companhia de uma robô custa o mesmo que a de uma garota de programa. A meu ver, é o famoso caso do fracasso social, da frustração amorosa e a consequente desistência e auto-descrença. Nada contra as donzelas da noite mas elas bem podem perder espaço para as moças movidas à óleo.
Afinal, fica a pergunta: até que ponto o filme Inteligência Artificial é um filme de ficção??
Esse minha postagem agora vai ser meio que um Post-resposta à postagem do meu camarada de blog.

Vemos, sim diversas mudanças em nossa socidade desde que o primeiro parafuso/broca/chip entrou no mundo. A questão é se realmente um dia eles nos substituirão por completo, sob forma de dominação, invertendo os papéis no melhor estilo Matrix Revolutions aí da vida. Sendo bem direto: eu acredito que não.
Por mais 'humanos' que possam ser os futuros robôs eles nunca terão a capacidade criativa que o homem tem. Trocando em miúdos, eles nunca farão qualquer tipo de arte. Podem, como a Máquina Violinista, realizar, executar mas mesmo assim eles não são nada mais do que CDs modernizados e customizados que nos poupam de apertar o play.
Casos, ainda, como de professores ou qualquer tipo de palestrante com o intuito de ensinar certo assunto a alguém nunca serão substituídos. Se pudessem, já teriam sido pois seria só apertar o bendito botão play de alguma gravação e todos seriam 'felizes'.
Na área de comunicação, como haveria a seleção e a hierarquização da notícia? É impossível automatizar isso!
Quanto à companhia amorosa, poderia até dar certo. Aliás, já dá lá no Japão - onde mais seria?!- em que a companhia de uma robô custa o mesmo que a de uma garota de programa. A meu ver, é o famoso caso do fracasso social, da frustração amorosa e a consequente desistência e auto-descrença. Nada contra as donzelas da noite mas elas bem podem perder espaço para as moças movidas à óleo.
Afinal, fica a pergunta: até que ponto o filme Inteligência Artificial é um filme de ficção??
terça-feira, 10 de março de 2009
O Futuro Me Amedronta
Nós estamos de volta!
Agora com cinco dedos.....

Dança do Robô
Depois de um tempo sem inspiração e em seguida férias, que realmente tira toda atenção de uma pessoa.
Mesmo depois de tanto tempo guardei tema na minha cabeça durante um certo tempo, o título diz tudo, irei falar sobre o futuro o que acho que pode acontecer com a humanidade, e claro se tratando de futuro espero que todos entendam que essa postagem vai "viajar" em algumas possibilidades.
Observando a evolução das tecnologias, eu fico me perguntando cada vez mais se em algum ponto do futuro nós, seres humanos, teremos um espaço nos diversos campos de trabalho. A cada dia vejo que diversos tipos de trabalhos estão sumindo, e nós estamos sendo substituidos por nossos amigos os robôs. Quando digo robôs, me refiro a qualquer coisa, mesmo que seja um braço que coloque parafusos.
Agora com cinco dedos.....Meu medo do futuro aumentou mais ainda, quando eu assisti uma reportagem de um novo amigo robô que sabia tocar violino, e ainda por cima as músicas clássicas ( por favor, não me peçam para lembrar quais são que é pedir demais).
Meu bom senhor Jesus Cristo, que loucura! Isso me deixou com mais dúvidas na cabeça do tipo será que no futuro irão existir ,por exemplo, professores? ou não será mais fácil colocar um robô para dar aula? Passando tudo para os alunos de forma rápida, controlável e o melhor o novo professor não fica doente, não tira férias entre outras coisas!
Serão necessários jornalistas ou médicos? As notícias podem muito bem ser passadas automaticamente e os texto escritos das mesma forma. Quanto aos médicos, um robô com todas as informações sobre doenças no seu banco de dados poderia identificar cada doença e receitar tal remédio. Remédio que seria comprado em uma farmácia, que poderia ter um atendente robô, que tal? e uma caixa que funcione sem a necessidade de uma pessoa?
Me chamem de louco, rs, mas se tratando de futuro, acredito em várias possibilidades.
Enquanto procurava algumas fotos para ilustrar essa postagem, achei uma entrevista que elevou o meu medo ao máximo.
O cientista da computação David Levy lançou um livro que estudou as relações entre a gente e os robôs, segundo ele com a evolução deles no futuro vai ser possível, que aconteça casamentos de pessoas com robôs. Ainda sou louco? rs
O link da entrevista vem a seguir:
Se o caminho continuar sendo esse, imaginem o que pode acontecer com as relações entre os seres humanos? Não será necessário se relacionar, qualquer um vai poder ter quem quiser no momento em que quiser. Nesse caso só consigo ver o lado ruim da situação: o isolamento do indivíduos.

Dança do Robô
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Natal Gostosão com Papai Noel Saradão

Já viram a propaganda do supermercado Prezunic pra essa temporada de Natal?
É a pura representação da sociedade hedonista, do prazer, ferindo a moral familiar. Posso estar sendo meio conservador mas, cara não perdoaram nem o Papai Noel!
Tá certo se quiserem se divertir com clipes pornográficos de HipHop, se quiserem chupar o pirulito na Loja de Doces, Dançar Créu ou ver as Curvas da Fergie! mas têm mesmo que botar até o Bom Velhinho de forma erótica?!
Vagabundo é foda ai!
Essa época nunca me empolga muito, não. Eu na minha vidinha boa como muito e ainda bato um papo com a família mas não é pra todo mundo que o Natal é feliz, obviamente! Ainda mais se você tiver que se preocupar com a forma física em pleno nascimento de Jesus por causa do Prezunic!
É isso! Divirtam-se com seus perus!
domingo, 21 de dezembro de 2008
Niilismo
É impressionante como o ser humano é esquizofrênico. Horas deseja algo, noutra quer outra coisa completamente diferente, ou então não quer nada.
Quem conseguir de alguma forma compreender uma pessoa de forma completa, por favor me avise porque neste instante creio que não há compreensão nem razão para nenhuma atitude, muito menos explicação para o que acontece nas relações humanas.
Há, apenas, o simples desejo individual a qualquer custo, a prazer pessoal/instantâneo. Quem, de fato, se importa com os outros? Ou ainda, com uma satisfação mútua? Quem é realmente racional? Ninguém: essa que é a "graça".
O pior de tudo é a inevitável expectativa. A maldita que quanto maior é, maior a decepção que a acompanha. Prevenido é quem não espera nada de ninguém, vive da surpresa de cada momento, possivelmente mais esclarecido e satisfeito com seu estado.
Então destrua tudo, perca a crença mas começe tudo de novo de outra forma: Sem pensar.
Quem conseguir de alguma forma compreender uma pessoa de forma completa, por favor me avise porque neste instante creio que não há compreensão nem razão para nenhuma atitude, muito menos explicação para o que acontece nas relações humanas.
Há, apenas, o simples desejo individual a qualquer custo, a prazer pessoal/instantâneo. Quem, de fato, se importa com os outros? Ou ainda, com uma satisfação mútua? Quem é realmente racional? Ninguém: essa que é a "graça".
O pior de tudo é a inevitável expectativa. A maldita que quanto maior é, maior a decepção que a acompanha. Prevenido é quem não espera nada de ninguém, vive da surpresa de cada momento, possivelmente mais esclarecido e satisfeito com seu estado.
Então destrua tudo, perca a crença mas começe tudo de novo de outra forma: Sem pensar.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A Holanda é aqui

Ou pelo menos parece ser! Olha essa foto! É de Santa Catarina, em estado de calamidade, tudo molhado, alagado e úmido! As ruas viraram bacias hidrográficas!
Se isso sempre aconteceu lá, nunca noticiaram antes! Parece o Sri Lanka quando passou a Tsunami por lá.
Pelo que eu me lembre o Brasil não faz parte dos Países Baixos, ou seja, países abaixo do nível do mar.. então, fenômeno natural foi o que não foi. Mesmo que se fosse, nós estariamos ocupando o lugar errado no ecossistema e a natureza estaria(está) praticamente gritando isso para nós.
Onde é o nosso lugar certo? Se tal sequer existe, não é? O homem é o único ser vivo que consegue se adaptar a qualquer ambiente mas tem que necessariamente ocupar eles todos?
Isso aí é outro aviso da Mãe Natureza mostrando como as coisas não vão bem, a única força que até agora o ser humano não conseguiu controlar, nem deve conseguir. Aliás, ele vem até acentuando a força da própria com a maldita poluição - aumentando o calor, evaporando mais, chovendo mais, matando mais.
O maneiro é ficar rico e destruir o mundo ou destruir o mundo ficando rico?
Erick Ligneul
um dia depois de eu postar, isso aqui saiu na BBC Brasil. é só clicar
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