sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Clima de Política

Pois é. Em ano de eleição parece que todo mundo é engajado, conhecedor de propostas e consciente do poder de seu voto. Antes fosse.
Nossa política ainda é uma piada. Não dá para levar a sério artistas, famosos que, por serem conhecidos acham que vão ser bons políticos. Ainda tem os professores que vão salvar a educação, os doutores - reis da saúde - e o PM, que tem a medida certa para a segurança. Parece que ninguém tem a idéia de que é preciso haver um equilíbrio entre todos os setores. O que adianta ter escola se a criança não está saudável? Ou então, uma centro educacional que só tem disponível balas perdidas no Recreio.













Que país é esse que elege Clodovil e Fernando Collor?!

De fato, o Brasil é um país de democracia recente, o povo ainda está aprendendo a votar e tenho até boas esperanças em alguns poucos candidatos da nova geração ou naqueles de um histórico invejável.

Vejo que atualmente a população assiste muito distante aos acontecimentos políticos, preferem até se absterem, citando a máxima: "Todo político é corrupto mesmo, vou votar nulo/branco". Sendo assim, ela perde também o direito de reclamar da situação de seu Estado. Toda generalização é idiota, sem dúvida.
Bons deviam ser os tempos de grande eventos, discursos, comícios públicos. Apesar de serem considerados compradores de votos, a multidão politicamente ativa se via muito mais seduzida a se envolver, conhecer o canditato. Agora o que se vê é a força militar nas ruas, principalmente da zona oeste, para 'garantir' a segurança, mostrando a distância na relação eleitor-candidato.
Não sei se alguém reparou mas esse ano não tivemos debates na TV, aquele que era visto como uma novela pelos telespectadores, entretendo devido ao bate-boca causado pela discórdia dos figuras. Taí outro distanciamento.

O momento de viver a política não deveria ser apenas no domingo. Não deveria ser considerado uma obrigação, um fardo pesado dos preguiçosos. É uma vergonha isso.

Se está ruim, não vai ser ignorando que as coisas vão mudar.

Boa votação à todos!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A Democracia está no ar

E não somente no ar. Ela está nos carros, nos panfletos, nas placas.

Quando você abra a janela e vê o outdoor de um candidato na casa do vizinho, nos nicks, nas ondas do rádio, na tv.

Está também na conversa de duas pessoas do seu lado em algum lugar, naquele amigo chato que fica falando para você votar no candidato dele, ou diz que o seu não tem chance então é melhor não queimar seu voto.

Não podemos esquecer das pesquisas - um tanto duvidosas- que são lançadas para "mostrar" quem está ganhando.

Nos carros com alto falantes e nos trios elétricos dos candidatos que nos acordam ou interrompem nossas conversas, na maioria das vezes com músicas um tanto toscas de campanha.

A democracia também tem presença marcada na passeatas que interrompem e engarrafam o trânsito.

Nas bandeiras dos candidatos que são lançadas com mais orgulho do que a própria, e nos panfletos distribuídos tão rápido que não te deixam pensar.



Bom, acho que já deu, vocês entenderam onde quero chegar né? Mas a pergunta que eu faço é até quando essa democracia vai ficar ao nosso alcance?

Eu, humildemente, penso que tenho a resposta. Ela vai ficar até o fim das eleições e vai voltar nas próximas. Então, agora, é bom você aproveitar a sua dose de democracia, porque até as próximas eleições, nós ficaremos calados e seremos excluídos de qualquer decisão tomada em nosso país.

Referendos? Plebiscitos? Consultar a população? Não seja bobo. Nós servimos apenas para votar, para fazer com o sistema continue. Mas nós poderemos reclamar, claro que sim! Nas mesas de bares da vida, nas rodas de amigos, nas reuniões de família ou na solidão de algum momento.

Ontem, li um artigo que matou minha curiosidade sobre nossa constituição. Eu queria saber se na constituição dizia algo sobre referendos, plebiscitos, etc. E tem esse tema lá. Fala que a população tem sua participação na forma de: Sufrágio eleitoral, Referendo, Plebiscito e iniciativa popular de projeto de lei. Aí a gente se pergunta: Qual a razão de nunca sermos consultados? É simples. Agora vem a parte ruim...adivinhem só, quem decide quando seremos escutados? Os caras lá de Brasília. Novidade?

Pronto aí está. Tudo é feito por uma razão simples e clara. Agora nos cabe correr atrás e tentar mudar.

Yves.


Essa postagem tomou um rumo completamente diferente da minha intenção inicial. Na próxima vou colocar o que era meu objetivo desde o começo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Hardcore Oldschool no século XXI


Seguindo a linha do meu broder de blog, vou recomendar um CD sensacional também.
Banda nova, carreira promissora, hardcore de qualidade e conteúdo.
À começar pelo nome: o trocadilho podendo ser interpretado por "Pobre Coelho", "Para(em francês) coelho", "pobre hábito", entre o que mais você quiser é, de fato, muito bom.
Eu, que pensava que o hardcore estava morto, devido às bandas velhas como Millencolin, Pennywise, Offspring, NOFX terem "acalmado" suas músicas tive uma ótima surpresa com esses caras. O peso das guitarras com a velocidade técnica da bateria aliado aos backvocals do baixista e o vocal gritado mas melódico dá um som muito original à banda.
O maior destaque do CD para mim é a música "Zion" que começa num reggae e depois parte direto pro bom e velho.
Fica aí a dica e espero que a escutem!

Myspace dos caras: www.myspace.com/pourhabit

valeu, grande abraço!

Musicalmente Sombrio

O Anacrânico vai passar a comentar e humildemente indicar alguns cd's e livros para quem se interessar.
O primeiro cd da lista é o "Era Vulgaris" da banda Queens of Stone Age, apesar o álbum ser de 2007, eu realmente só descobri a qualidade do cd em 2008. Esse disco do QOSTA demonstra que tudo tem seu momento. Quando o escutei pela primeira vez, rapidamente troquei de banda e o esqueci. As melodias pareciam não se encaixar, achei um disco experimental demais. Então depois de um ano decidi dar uma nova chance, por curiosidade, e não é que descobri um dos melhores cd' s que já escutei. E todas as misturas de sons que me incomodavam, atualmente me atraem. Mas música é isso aí.
Neste trabalho, o vocalista/guitarrista do QOSTA, Josh Homme, parece ter libertado toda sua criatividade. A banda que sempre teve um estilo extramamente diferente de todas as outras, depois do cd "Songs for the Deaf" passou por uma reformulação com as saídas do baixista, Nick Oliveri e também de Mark Lanegan, que no "Songs for the Deaf" tinha se tornado integrante definitivo da banda.
O "Era Vulgaris" tem algo de especial que é a diferença entre cada música, algumas com um ar sombrio ( grande característica da banda) como "Sick, Sick, Sick", que tem seu ar de terror completado pelo seu vídeo clip. Mas algumas fachas parecem pertencer a uma outra banda ou a um álbum bem distinto, um exemplo é a música "I want Make It Chu". Na minha opinião, isso faz de "Era Vulgaris" um grande trabalho de uma excelente banda.

Depois mais humildes indicações. Valeu!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fui Atacado Por Um Comercial De TV

Eu ando muito crítico com qualquer coisa que se mova e queira expressar algo. E sempre tive um pé atrás com a publicidade.
Outro dia vi o comercial do novo Ford Fusion, que é um belo carro. A propaganda mostra as pessoas crescendo de vida e quando estão bem, conseguem comprar um carro desse. Mas o que me chama atenção e também serviu de inspiração para o título, é a frase que fecha a saga do carro nas estradas da vida, que é algo mais ou menos assim: "Ford Fusion, quem tem fez por merecer".
Então quem não tem não fez por merecer, ou seja, você só prova que é alguém na vida se tiver um carro desses, mesmo que você tenha ralado a vida toda e realizado algo. Mas tudo bem.
Ainda tenho alguns comerciais para comentar aqui. Até mais!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Arquivo

Minha postagem dessa vez vai ser um conto que eu li e gostei muito.

O conto a seguir foi escrito por Victor Giudice, em 1972. Já apareceu mais de trinta vezes no Brasil. E também foi publicado nos Estados Unidos, Argentina, México, Nicarágua, Colômbia, Alemanha, Tchecoslváquia, Bulgária e Hungria. Ano: 1972

O Arquivo
No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego.
Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esfoçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho.
No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Dessa vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco mais: dezessete por cento.
Novo sorriso, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora, joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. A pele tornou-se menos rosada.
O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejoso. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado do escritório principal.
Respirou descompassado.
- Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
- Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
- Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
- De hoje em diante, o senhor vai passar a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nessa noite, não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixou de jantar. O almoço era um sanduíche. Emagreceu, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminou certas depesas inúteis, lavadeiras, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência.
A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos , o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre as árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugar sorridentes.
Todos os dias, um caminhão transportava-o ao trabalho.
Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
-Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir, de amanhã, será a limpador de nossos sanitários.
O crânio comprimiu-se. Do olho amarelado escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir.
- Agradeço tudo que fizeram em meu benefício, Mas eu vou querer minha aposentadoria.
O chefeu não compreendeu:
- Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses já vai ter de pagar uma taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, tornou-se lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Ficou cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
Aí está! Qualquer coisa que vocês possam pensar que é um erro de português não é, existe uma razão de ser de acordo com o contexto do conto.
Ler---> Entender----> Analisar---->Absorver----Agir.
Falem o que acharam nos comentários.

domingo, 7 de setembro de 2008

As ciências

Impressionante como não temos controle nenhum sobre nossas mentes. Exemplo mais básico é uma pessoa chegar pra você e falar: NÃO imagina agora uma piscina vermelha com um jacaré amarelo dentro. Imaginou? Taí, descontrole total.

Pior ainda quando nos descontrolamos conscientemente. O que John Frusciante, Anthony Kiedis, Amy Winehouse, Bradley Nowell, Jimi Hendrix, entre outros têm em comum? Buscavam uma salvação, fuga, diversão em um super-herói nada heróico, a heroína. Uns se salvaram, outros OD'd e a outra está à caminho da morte.

É a mente perturbada que faz isso? Quem não é perturbado? A constante instisfação com o estado atual faz com que queiramos ficar loucos(mais do que já somos)? Qual o sentido de se ficar alterado? Todos que bebem ficam. É por prazer, moda, vontade de se soltar, desculpa para fazer o que quiser, ser socialmente aceito? As pessoas são muito loucas...

Se tem uma coisa que eu vejo muito é filme de junkie. Sei lá, gosto das viagens, do sofrimento pra sair do vício, do drama, da tragédia.. Tento conhecer tudo e ter uma noção, consciência, pra que nunca me permita ficar que nem os personagens. Deve ser ruim demais ficar preso material e psicologicamente a algo de uma forma tão intensa, conscientemente descontrolado.

E ainda tem essa moda de ficar doidão, usar todas as drogas possíveis, se aproveitando da maneira como elas estão banalizadas e de fácil acesso. Isso tudo porque somos a "Geração Saúde", não é? O mundo todo devia ser Amisterdã antigamente pra terem coragem de mandar essa.

Vai entender, né?
...eu não entendo.